ENTREGA DA MARCHA “VILA DE FORJÃES” (ILÍDIO COSTA) E EVOCAÇÃO DE JOSÉ ARMANDO COUTO PEREIRA DA SILVA

Numa iniciativa da Comissão de Festas de Santa Marinha 2024, decorreu, na tarde deste dia 14 de dezembro, a cerimónia de entrega da partitura, completa, da marcha de rua “Vila de Forjães” à população de Forjães. No caso, o dossiê com todas as partituras foi entregue ao Maestro Ilídio Costa, que as assinou, entregando-as ao Presidente da Junta de Freguesia, Vítor Quintão.

A sessão, que a conduzida pelo Presidente da Assembleia de Freguesia, foi aberta pelo Presidente da Junta, tendo assistido à mesma, para além do Presidente da Assembleia Municipal de Esposende, Carlos Silva, o Secretário da Junta da Freguesia, Sérgio Morgado (autor dos registos desta publicação), os maestros Ilídio Costa e Valdemar Sequeira, entre elementos de diferentes bandas, dirigentes, músicos, e dezenas de Forjanenses, destacando-se a família de José Armando Couto Pereira da Silva.

Assinalando que o trabalho de uma comissão de festas vai para além da mera angariação de fundos para a execução de um programa festivo que alia o religioso ao profano, Carlos Gomes de Sá deu conta do trabalho feito por pela Comissão de 2024 em prol da preservação e valorização da nossa cultura, da nossa identidade, das nossas tradições, divulgar a nossa história, as nossas associações e o nosso património.

Basta ver, por exemplo, a tradicional “revista da festa”, que se transformou num interessante e documentado livro, uma espécie de iniciação numa monografia local.

É também dentro deste mote de valorização das tradições, da cultura e identidades locais que aqui se realizou esta cerimónia, reforçando a importância das bandas filarmónicas e a sua ligação às romarias minhotas. E no caso da Festa de Santa marinha, vemos esse expoente máximo, pois a Romaria e as bandas estão ligadas umbilicalmente.

Este ano, e assim dito porque ainda estamos no ano da festa por si realizada, e este facto justifica, também, a realização deste sessão nesta data e este ano de 2024, fomos brindados, por ação da comissão de festas da Romaria de Santa Marinha, com a presença de 5 bandas de música que configuraram uma mescla de bandas de valor reconhecido no mercado nacional e internacional, com outras que representam projetos artísticos em franca ascensão, sendo transversal a todas a excelência artística que personificam, uma pluralidade que representou uma garantia de um reportório rico e diverso, granjeando um reconhecimento unânime!

Além disso, não podemos deixar de referir a homenagem a Ilídio Costa, uma personalidade que muito tem dado à música e ao mundo filarmónico, promovida pela Comissão de Festas e realizada no final de tarde do dia 17 de julho de 2024.

Tratou-se um momento ímpar, onde foi reconhecido o elevado contributo que este ilustre Maestro e Compositor tem dado à música durante tantas décadas a fio, sendo considerado “a lenda viva das bandas filarmónicas”!

Ilídio Costa é um exímio instrumentista, um conceituado Maestro e um grande Compositor. Esteve presente, por inúmeras vezes, na festa de Santa Marinha, aqui em Forjães, como Maestro. Continua a estar nas nossas Festas como atento e assíduo espetador e, certamente, continuará a estar por cá muitas durante muitas e muitas décadas, no caso imortalizado pela interpretação das suas composições por parte das bandas que pisarão estes palcos.

A generosidade do Maestro levou-a a compor a “Vila de Forjães”, uma marcha de rua composta no presente ano, acedendo ao pedido que lhe foi endereçado pela Comissão de Festas da Romaria em Honra de Santa Marinha de 2024, no sentido de ser elaborada uma composição dedicada à freguesia e ao povo de Forjães e que coincide com a celebração dos 35 anos da elevação de Forjães à categoria de Vila, adensando desta forma o património cultural de Forjães.

A mesma foi apresentada e interpretada pela primeira vez em público pelas Bandas de Famalicão e da Associação Recreativa e Musical Os Amigos da Branca, em uníssono, na tarde do dia 17 de julho de 2024, no adro da Igreja Paroquial de Forjães, sendo dirigidas pelo próprio Maestro e Compositor Ilídio Costa.

O tema seria novamente interpretado nas despedidas das referidas bandas na noite do dia 17 de julho e nas despedidas da Banda Musical Velha de Barroselas e Banda de Golães de Fafe no dia 18 de julho.

Foram momentos marcantes, para quem viu e para os músicos envolvidos, pelo que, o Presidente da Assembleia de Freguesia, na sua intervenção, e assumindo que este desafio possa ser coletivo, desde logo partilhado pela Comissão de Festas cessante, lançou o repto para que, no futuro, esta obra possa sempre ser interpretada em uníssono pelas bandas filarmónicas nas despedidas da Festa de Santa Marinha.

A Junta de Freguesia, associando-se a esta valorização do nosso património, colocará, em breve no seu site, três vídeos filmados no dia de apresentação da Marcha Vila de Forjães, a que se juntará um quarto, da sessão de hoje. Será uma forma de perpetuação do momento, mas também de permitir que quem não pôde estar presente possa recordar o momento, a que juntaremos também evidências desta sessão, que é culminar desse processo da homenagem então prestada.

A Comissão de Festas da Romaria de 2024 subiu a palco e, sob um generalizado aplauso, entregou as partituras ao Maestro Ilídio Costa, numa encadernação com registos diversos de Forjães, pela objetiva de José Luís Ribeiro. Por sua vez, Ilídio Costa assinou as partituras e entregou-a ao Presidente da Junta, seguindo-se um dos pontos altos da tarde, com a interpretação de obra, por treze músicos que tiveram a amabilidade de aceitar o convite da Comissão de Festas para abrilhantarem este evento. Falamos de músicos maioritariamente da nossa região e, incluindo o forjanense, o Hugo Maciel. São músicos que integram bandas filarmónicas da região do Minho, nomeadamente da Banda de Música de Antas, Banda Musical Velha de Barroselas e Banda Filarmónica de Amares.

O momento foi emotivo e muito apreciado pelos presentes, tal como emotiva foi também o segundo momento da tarde, que culminou com os músicos em palco, dirigidos pelo Maestro Valdemar Sequeira, a interpretarem o hino de Santa Marinha, composto em julho de 2006.

Efetivamente, este espécie de continuação da festa de Santa Marinha, contou com a evocação da memória de um forjanense que nos deixou recentemente,  José Armando Couto Pereira da Silva.

O Presidente da Junta de Freguesia, Vítor Quintão, juntamente com Carlos Gomes de Sá, lembraram o nosso “poeta”, detalhando a sua biografia e lendo alguns dos seus trabalhos, momento também marcante para a família presente.

 

José Armando Couto Pereira da Silva, filho de Daniel Pereira da Silva e Maria Aurora da Costa Couto, nasceu no lugar do Souto, em Forjães, a 28 de setembro de 1950.

Depois de concluída a 4ª classe, precisamente aqui neste espaço das Escolas Rodrigues de Faria, ingressou no Seminário do Verbo Divino, em Guimarães. Desistiu no segundo ano e começou a trabalhar como aprendiz de serralheiro.

Em 1971 assentou praça no R.I.-8 em Braga e no mesmo ano seguiu para Queluz onde tirou a especialidade de operador de radar MK-6.

Em 1972 seguiu para a Ilha do Sal em Cabo Verde, onde cumpriu o serviço militar, regressando à Metrópole em 1974, exercendo desde então a profissão de serralheiro por conta própria.

A sua vida militar e em particular a Ilha do Sal, acabam por o marcar e as suas composições atestam isso mesmo. Foi autor de diversos poemas e publicações, tendo sido um regular colaborador do jornal O Forjanense, destacando-se Inquietudes (abril 2001), Silêncios (junho 2004), Anoiteceres (junho 2009) e “Para lá do rio” (janeiro 2016).

A sessão, encerrada pelo Presidente da Junta, contou com o tradicional verde de honra.