JUNCO DE FORJÃES CERTIFICADO a 1 de julho
No âmbito das comemorações dos 34 anos da elevação de Forjães a Vila, e um ano após a abertura do Centro Interpretativo do Junco de Forjães, terá lugar, no próximo dia 1 de julho, pelas 15.00h, no Centro Cultural Escolas Rodrigues de Faria, a cerimónia de certificação do artesanato do Junco de Forjães.
Na sessão será formalizado o processo de certificação da Unidade Produtiva Artesanal de Isa Joana Silva, que se torna assim na primeira, e para já única, UPA/artesã com produção certificada, garantindo a qualidade e o vínculo do território da cestaria em junco de Forjães. As peças serão devidamente reconhecidas através das etiquetas de certificação fornecidas nesta cerimónia, numeradas sequencialmente e com o nome da UPA, pelo organismo de certificação (A.CERTIFICA).
Recordamos que este é o culminar de um processo longo, que tem vindo a ser desenvolvido pelo Município, recuperando-se, a título de exemplo, as informações já aqui reproduzidas, relativas a uma sessão dinamizada em 24 de janeiro último, em que Fernando Gaspar, do CEARTE, que, considerando a Portaria 1193/2003, de 13 de outubro, apresentou os procedimentos necessários para a obtenção do estatuto de artesão, processo que será necessário para todos os que quiserem, no futuro, comercializar o produto certificado “Junco de Forjães – Esposende”.
Também nessa sessão dinamizada no Centro Cultural Escolas Rodrigues de Faria, Teresa Costa, representante da entidade certificadora (A.Certifica), explicou os procedimentos a seguir por quem quiser vender os produtos certificados, registando que o uso indevido da designação ou marca, é punido pela ASAE, pois estes registos permitirão, ao consumidor, ter a certeza que adquire produtos manufaturados e produzidos de acordo com normas certificadas. Registamos, ainda, que a Câmara Municipal de Esposende, como então foi também assumido por José Costa, responsável pelo Turismo municipal, acompanhará e apoiará este processo, assumindo o vereador Sérgio Mano que serão disponibilizadas gratuitamente as etiquetas iniciais de certificação deste produto, assumidamente detentores do selo “Portugal sou eu” e incrementadoras das vendas.
Assim, no próximo dia 1, no âmbito deste processo de reconhecimento da Arte do Junco de Forjães, serão ainda entregues Cartas de Mérito pelo CEARTE a Rosa Maria Pinto Brochado dos Santos, Maria Celina dos Santos Teixeira e Maria Filomena Mendanha da Rocha.
Rosa Maria Pinto Brochado dos Santos, a “Rosa Maria – Lita” como é conhecida popularmente, nasceu em 1948, tendo iniciado as suas lides no junco com 9 anos apenas. Foi com o seu pai, “Manuel António Esteireiro”, filho do “Tio Albino Esteireiro” – referenciado no Caderno de Especificações para a Certificação do Junco de Forjães – que aprendeu a trabalhar esta fibra vegetal. Ao longo dos anos, foi a única entre cinco irmãos que adotou esta arte como atividade principal.
Maria Celina dos Santos Teixeira, a Celina Teixeira, nasceu em 1935 e, desde muito nova, começou a trabalhar no junco. Foram precisamente os seus pais, Domingos Teixeira e Rosa Faria dos Santos, que lhe transmitiram o saber fazer, pese embora a profissão de esteireiro tivesse proveniência do lado materno. Transmitiu este saber fazer à sua filha, Alexandrina, que, por sua vez, passou este ensinamento à Isa Joana, neta da Celina Teixeira, hoje uma artesã no ativo e a tempo inteiro, testemunhando a tenacidade e a sobrevivência da arte ao longo das gerações.
Maria Filomena Mendanha Rocha Fernandes, conhecida como “Mena do Rio” nasceu em 1944, filha de Ernesto Pereira da Rocha e de Maria da Glória Martins Mendanha. Aprendeu a trabalhar o junco desde os sete anos de idade, com a sua irmã Rosa e com a sua prima Irene, na casa do seu tio “Cravo”, irmão de seu pai – referenciado no Caderno de Especificações para a Certificação do Junco de Forjães. Ao longo dos anos, adotou esta arte como atividade principal, tendo representado o Município de Esposende em várias feiras e exposições nacionais e internacionais, perfazendo um notável percurso que muito contribuiu para o engrandecimento desta arte e do nome de Esposende. No 19 de agosto de 2004, foi distinguida com a medalha de Mérito Municipal.
A produção artesanal das esteiras de Junco na Vila de Forjães, concelho de Esposende, é um dos patrimónios culturais, a nível material e imaterial, mais estimados pela população local, que foi introduzido ainda no século XIX, dando origem a um grupo de artífices à época designado por “esteireiros”. Assiste-se nos tempos mais recentes a um ressurgimento desta produção artesanal, mercê do interesse suscitado quer pelos saberes tradicionais envolvidos, quer pela sustentabilidade das matérias-primas e processo de produção utilizados.
Ciente da importância e mais-valia desta arte, o Município de Esposende, no âmbito do Plano de Ação para a Sustentabilidade, Crescimento e Competitividade do Turismo em Esposende: 2023_2027, tem vindo a investir na sua preservação e promoção, ao abrigo da estratégica de valorização e potenciação do seu território, associado ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.
Dados complementares:
Informação divulgada pelo Município: Certificação confere autenticidade ao artesanato do junco de Forjães | Município de Esposende
Sessão de esclarecimento em 24 de janeiro 2023: CERTIFICAÇÃO DO JUNCO DE FORJÃES – ESPOSENDE AVANÇA – Forjães (forjaes.pt)
Apresentação de livro CREATOUR em 22 de maio 2022: APRESENTAÇÃO DO LIVRO “CREATOUR” NO CENTRO CULTURAL – Forjães (forjaes.pt)

