Livro ‘O Desenho como Errância Fronteiriça’ de António Mendanha

Foi apresentado, na tarde de ontem, dia 31 de maio, na Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, em Esposende o livro ‘O Desenho como Errância Fronteiriça’, do forjanense António Mendanha.
A apresentação esteve a cargo de Manuel Penteado Neiva, tendo ainda usado da palavra, para além do autor, o Prof José Simões, Diretor da ESAD e prefaciador da obra, e o Engº Guilherme Emílio, Presidente da Cãmara Municipal de Esposende, que encerrou a sessão., destacando a profundidade da obra do autor e a sua capacidade para nos desinquietar, interrogar, mas, ao mesmo tempo, deixarmos satisfeitos pelas respostas encontradas, estabelecendo-se um paralelo, desde logo, no “gostar da pessoa amada”.
Nesta sessão, muito concorrida, conduzida pela responsável pela Biblioteca Municipal, Dra Luísa Leite, marcaram presença, para além de vários amigos, familiares e muitos forjanenses, em termos institucionais, o Presidente da Junta de Freguesia, Vitor Quintão, bem como o Presidente da Assembleia de Freguesia, Carlos Gomes de Sá, e a segunda secretária deste órgão, Mariana Ribeiro.
No final da sessão decorreu a habitual sessão de autógrafos com o autor da obra, partilhando-se, nesta publicação, registos desse momento e da sessão em si, parabenizando-se o autor por este livro e por todo o trabalho desenvolvido, bem como pela forma emotiva, e comprometida, como fez a sua intervenção, cativando todos os presentes para um livro que assumidamente, como foi registado, não é de fácil leitura, implicando predisposição do leitor para sair de zonas de conforto e ousar interrogar-se, e deixar-se interrogar.
O Desenho compreendido como errância fronteiriça foi o objeto de investigação do autor, no âmbito da tese de doutoramento apresentada, em 2007, à Universidade de Vigo, na Faculdade de Belas-Artes de Pontevedra.
Na sua intervenção, António Mendanha falou-nos da pedagogia do desenho, discorrendo sobre uma abordagem possível para o desenho racional vs desenho irracional, como havia sido enunciado pelo prefaciador do livro. Este considerou Mendanha como um “sábio dialogante”, denotando o seu trabalho “horas e horas de leitura, muita inspiração, mas também muita transpiração”.
Como pode ser lido num comentário sobre este livro, “Durante cerca de 10 anos, a filosofia do limite, em Eugenio Trías, foi estudada e aplicada no sentido de garantir lastro ontológico à ideia de que o Desenho é percorrido ad intra pelo jogo tenso entre as potências conjuntivas e as potências disjuntivas.
Sendo o desenhador um sujeito fronteiriço, alçado aos limites do mundo e postado face ao mistério, é através de uma razão crítica que no limite ele se abre à sombra desta, ou seja, à sem-razão; podendo, de forma indireta e analógica, recorrer ao poder do símbolo para estabelecer diálogo, sempre defetivo ou precário, com tudo aquilo que ultrapassa os aconteceres fenomenológicos deste mundo e que, segundo o filósofo espanhol, tem a sua morada nesse âmbito impenetrável a que chama cerco hermético. Logo, trata-se de fazer a viagem requerida pela inteligência passional, errando entre o mundo e o mistério, entre a razão e a sem-razão, entre o ser e o nada. Porque, sempre que uma linha viaja sobre o papel estabelecendo fronteiras físicas definidas, ao mesmo tempo essa linha abre-se, de forma interrogante, ao infinito dos significados e dos sentidos: é conjuntiva e disjuntiva ao mesmo tempo, une e separa ao funcionar como charneira entre matéria e transcendência.”
A obra, que de acordo com António Mendanha, pretende “mexer com as sombras”, é uma abordagem ao “mundo hermético, onde entramos através de símbolos”, sendo, todos nós “seres do limite” e “todos nós vivemos os limites do mundo”, havendo nesse “limite” dois radicais, um do latim “limitem”, associado a términus, com a ideia de limitante; outro associado a “limen”, no sentido de soleira, de marco de passagem, ou seja, o limite aqui analisado, tal qual a fronteira, é um espaço de “passagem para outro lado, para o mundo das sombras.”
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