Luís Vaz de Camões nasceu há 500 anos e Forjães recorda-o no Centro Cultural
Reza a história que o nosso Poeta Luís Vaz de Camões nasceu há 500 anos, facto que origina esta publicação, pois Forjães assume, neste dia, um significado especial.
Portugal tem uma particularidade, nem sempre notada ou valorizada, uma vez que, ao contrário da maioria dos países, tem o seu Dia Nacional baseado num Poeta, num Homem da literatura, e não num feito bélico, numa batalha, numa conquista, em derramamento de sangue, como celebram outros povos.
Esta particularidade, com profundo significado e que diz muito sobre o País e os Portugueses, leva-nos a partilhar uma outra, pois neste dia 23 de janeiro, em que assinalamos os 500 anos do nascimento de Camões, recordamos Os Lusíadas, através dos versos desta grandiosa Epopeia e imagens ilustrativas da História de Portugal, patentes nos painéis de azulejo do Mestre Jorge Colaço, no Centro Cultural Escolas Rodrigues de Faria e mandados fazer propositadamente por este benemérito que dá nome ao magnífico edifício.
De forma breve, destacamos os oito painéis de azulejo, suportados n´Os Lusíadas, relativos às seguintes passagens (C »Canto; est » Estância):
- Canto I: O Concílio dos Deuses (est 14)
- Canto II: Cilada em Mombaça (est 21)
- Canto III: A Batalha de Ourique (est 42-54)
- Canto IV: A Batalha de Aljubarrota (est 24) e A Partida das naus (est 56)
- Canto V: O Adamastor (est 39)
- Canto VI: A tempestade (est 5)
- Canto VII: Encontro com o Rei (est 60)
Neste dia espacial, Forjães tem uma palavra a dizer, pois tem um espaço único, mágico, invejável… para ensinar Camões.
Partilhamos, nesta publicação, para além da biografia de Camões, algumas imagens da exposição que pode visitar no Centro Cultural Rodrigues de Faria (clicar no link azul final), deixando um convite para visitar todo o espaço e, em particular, a Sala Rodrigues de Faria.
Biografia:
Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa, Portugal, de acordo co0m alguns estudiosos, a 23 de janeiro de 1524, ou seja, precisamente há 500 anos. Há certezas quanto à sua morte, data em que assinalamos o Dia de Portugal e das Comunidades portuguesas, mas a falta de registos fiáveis de nascimento, deixa algumas dúvidas sobre o dia preciso, mas algumas fontes registam esta data.
Era filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo, aparentada com a casa de Vimioso, da alta nobreza portuguesa, e sobrinho de D. Bento de Camões, cônego da Igreja de Santa Cruz de Coimbra.
Em 1527, durante uma epidemia de Peste, em Lisboa, D. João III e a corte transferiram-se para Coimbra, e Simão, a mulher e o filho, com apenas três anos, acompanharam o rei.
Luís de Camões viveu sua infância na época das grandes descobertas marítimas e também no início do Classicismo em Portugal. Foi aluno do colégio do convento de Santa Maria e tornou-se um profundo conhecedor de história, geografia e literatura.
Em 1537, D. João III transferiu a Universidade de Lisboa para Coimbra. Camões iniciou o curso de Teologia, mas levava uma vida irrequieta, desordeira, além da fama de conquistador, mostrando pouca vocação para a Igreja.
Em 1544, com 20 anos, deixou as aulas de teologia e ingressou no curso de filosofia. Já era conhecido como poeta. Nessa época, compôs uma elegia à Paixão de Cristo, que ofereceu a seu tio. Seus versos revelam que ele estudou os clássicos da Antiguidade e os humanistas italianos.
Nessa época, encontra-se com D. Catarina de Ataíde, dama da rainha D. Catarina da Áustria, esposa do rei D. João III e, desse encontro nasce uma ardente paixão, mais tarde imortalizada pelo poeta com o anagrama “Natércia”.
Nessa época, a intelectualidade nacional era incentivada, sobressaindo-se escritores, pensadores e poetas, como Sá de Miranda, que iniciou o Classicismo em Portugal e o próprio Camões, que se tornou o maior representante do Classicismo português.
Em um sarau, seguido de um torneio poético, o espanhol Juan Ramon, sobrinho de um professor da Universidade, sentiu-se ofendido por causa dos versos de Camões.
Seguiu-se um duelo e o espanhol saiu ferido, o que terminou na prisão do poeta, sob o protesto dos estudantes. No final de muitas discussões, Camões foi perdoado, com a condição de ser desterrado durante um ano em Lisboa.
Na capital, os versos do poeta eram apreciados pelas damas da corte, mas era perseguido por outros poetas, sendo vítima de muitas intrigas para desprestigiá-lo e afastá-lo da corte.
Para fugir das perseguições, em 1547, Camões resolve embarcar, como soldado, para a África. Serviu dois anos em Ceuta. Combateu contra os mouros e durante uma briga perdeu o olho direito.
Em 1549, Luís de Camões retornou para Lisboa e entregou-se a uma vida desregrada. Em 1553, envolveu-se em novo incidente, ferindo um empregado do paço. Foi preso e permaneceu um ano encarcerado.
Nessa época, inspirado nas conquistas ultramarinas, nas viagens por mares desconhecidos, na descoberta de novas terras e no encontro com costumes diferentes, escreveu o primeiro canto de sua imortal poesia épica, Os Lusíadas.
Posto em Liberdade, em 1554, Camões embarcou para as Índias. Esteve em Goa, e tomou parte de várias outras expedições militares.
Camões foi nomeado provedor em Macau, na China e durante esse período, escreveu mais 6 contos de seu poema épico. Em 1556 partiu novamente para Goa, mas sua embarcação naufragou na foz do rio Nekong.
Camões conseguiu se salvar nadando, levando consigo os originais dos Lusíadas. Chegando a Goa, foi preso novamente em consequência de novas intrigas. Ali recebeu a notícia da morte prematura de D. Catarina de Ataíde.
Em 1569, Camões resolveu voltar para Portugal e embarcou na nau Santa Fé, levando consigo um escravo, que lhe acompanhou até seus últimos dias. Chegou a Cascais em 7 de abril de 1570. Depois de 16 anos, estava de volta à sua pátria.
Em 1572 publicou seu poema Os Lusíadas. Que celebra os feitos marítimos e guerreiros de Portugal. O poema é composto de dez cantos, cada canto é formado por estrofes de oito versos. Com o sucesso da obra, Camões recebeu do rei D. Sebastião uma pensão anual.
Inspirado em A Eneida, de Virgílio, Camões narra fatos heroicos da história de Portugal, em particular, a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama. No poema, Camões mescla fatos da História Portuguesa e as intrigas dos deuses gregos, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador.
Luís de Camões morreu em Lisboa, Portugal, no dia 10 de junho 1580, em absoluta pobreza. Segundo alguns biógrafos, Camões não tinha sequer um lençol para lhe servir de mortalha. Teria sido enterrado em cova rasa. Mais tarde, em 1594, Dom Gonçalo Coutinho, mandou esculpir uma lápide com os dizeres: “Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos Poetas do seu tempo. Viveu pobre e assim morreu”.


